terça-feira, 15 de novembro de 2011

Zena Caffé

O Zena é um restaurante de inspiração italiana, com clima e ambiente bem descontraídos. Boa pedida para se reunir com os amigos e comer pratos rápidos e bem executados a qualquer hora do dia. Literalmente, pois o Zena fica aberto das 12h até 0h todos os dias da semana. Você que odeia casa lotada e filas como eu, pode optar por horários alternativos para fazer suas refeições.


Assim que conseguir uma mesa, será prontamente recebido com grissinis bem temperados e azeite. Mas, e a lei do couvert? Será que eles não dão a mínima? Não é isso, colega. O couvert da casa é cortesia, portanto, não é cobrado. Ponto para o Zena!


A casa dispõe de um forno especial para focaccia, que é um dos destaques do cardápio. De massa fininha e recheio dos mais variados, ela é a campeã de vendas na seção de entradas. Minha dica é para a recheada de queijo stracchino e a de presunto cru e figos. Delícias.


focaccia com queijo stracchino


De prato principal, quase sempre acabo optando pelo Gnocchi Zena, que é um nhoque com molho de tomate, manjericão e fondue de queijo stracchino. Diferentemente da maioria dos exemplares de São Paulo, a massa tem mesmo gosto de batata! E a combinação do molho fresco de tomates com o queijo é leve e bem equilibrado. Outro ponto ao Zena!


Gnocchi Zena


O restaurante tem opção de prato do dia, que também é uma boa investida. Principalmente se for dia do arroz de pato. O arroz al dente chega bem escoltado por belos nacos da saborosa carne. Prato que conforta a alma.


As sobremesas não fazem feio, como é o caso da focaccia dolce, que pode vir recheada com nutella (um pouco doce para meu gosto) ou doce de leite, acompanhada de uma bola de sorvete. Ou do cannoli, recheado com creme de ricota, frutas secas, lascas de chocolate e pistache.


focaccia dolce de nutella


O site do Zena disponibiliza o seu cardápio com todos os preços dos pratos. Assim, dá para você se planejar com antecedência e evitar desagradáveis surpresas. 3 x 0 Zena.


Trata-se de um espaço tranqüilo para aproveitar uma comida honesta, de boa qualidade a preços justos. Sem mais.




Zena Caffé
www.zenacaffe.com.br
R. Peixoto Gomide, 1.901 - Jardins, São Paulo





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fasano

Tinha preparado um post sobre um outro restaurante. Mas não dá. Tenho que escrever sobre o jantar que tive ontem. Não por motivos de esquecimento, pois eu sei que ficará incrustado em minha memória. 


O dia 9 de novembro de 2011 ficará marcado como o dia em que o Fasano passou a fazer parte da minha lista particular de restaurantes favoritos. Explico: no meu mundo imaginário, para o restaurante entrar nesse grupo, eu preciso passar por uma experiência que beira à perfeição, quase transcendental.
Já tive refeições inesquecíveis no Pomodori, La Brasserie, Emiliano e Parigi. E em São Paulo, só nesses. Ontem foi a vez do Fasano. 


Desculpe de antemão: se os meus textos já eram subjetivos e baseados unicamente na minha impressão pessoal, tenho certeza que esse vai soar ainda mais emotivo. Me sinto incapaz em fazer uma análise racional dos pratos.


Não queria falar sobre o Fasano agora no começo do blog. Como se trata de um restaurante que todo mundo tem ao menos curiosidade em conhecer, esperava fazer um post mais completo e recheado de informações para que o leitor pudesse saber o que esperar da experiência (fica para postagens futuras, eu prometo).


Eu sei que as expectativas de uma pessoa que vai ao Fasano pela primeira vez são altas. Você não está indo para o seu típico almoço de domingo em família, de regata e chinelo, esperando dar umas boas risadas do seu avô que nem consegue mais falar direito por não ter mais dente, ou da franja do seu primo a la Justin Bieber. 
Por isso, eu pensava com meus botões que devia ao menos tentar escrever um texto para que você acerte mais do que erre. Imagine pagar para ir ao show do U2 e colocam o Luan Santana no palco. Não é coisa que se faça. Não é engraçado.
Aliás, provavalmente você estaria guardando uma ocasião especial para o Fasano, como aniversário de casamento, promoção de emprego. Ou seja, dois pesos: conhecer o restaurante de maior renome nacional + dia especial. Sair frustrado não seria uma opção.


Não vá esperando uma comida exótica, com sabores nunca antes provados. Você quer um prato de tartaruga com molho de jabuticaba e umburana? Não é o que você vai encontrar nessa cozinha de alta gastronomia que faz clássicos italianos com primor. Vários conhecidos já me contaram que se frustraram no Fasano, pois tiveram um jantar relativamente normal e não tinham provado nada extremamente saboroso. Que o custo-benefício é ruim. 


Respeito o gosto de cada um, mas discordo. A melhor comida italiana que eu já provei do lado de cá da linha do Equador foi no Fasano. Óbvio que nem sempre é memorável. Nem sempre você vê fogos de artifício. Mas nunca saí insatisfeito do imponente e requintado salão.


salão do Fasano


Considero o serviço do Fasano um dos melhores do Brasil. Nota-se que há um trabalho por trás de toda a operação, o que leva a um belo compasso entre a cozinha e o serviço. E os maîtres e garçons da casa são sempre gentis e atentos para qualquer necessidade do comensal. 
Comentário inútil, mas que me fez pensar por um tempo ontem: não sei como o Almir (gerente) consegue, mas desde a primeira vez que fui ao restaurante, ele lembra do meu nome, da mesa que eu gosto e os pratos que peço regularmente. Imagine decorar isso de todos os clientes!
Mas enfim, não vou lá por causa do serviço.


Acabado o lero-lero, vamos ao jantar. 


Couvert: pães e grissini fresquíssimos, mais do que os de costume, com manteiga de primeira.


couvert: pães, grissini, manteiga


Para o banquete, acabei optando por:


- entrada: queijo de cabra gratinado com purê de batata e gema de ovo
- primeiro prato: raviolini de pato ao perfume de laranja
- segundo prato: costeleta de cordeiro em crosta de pão com lentilha
- sobremesa: suflê grand marnier


A entrada: O purê aveludado (parecia um creme!), o sabor marcante do queijo de cabra, o crocante das amêndoas e a gema (ah! a gema!) mole formavam o quarteto fantástico da noite! Já havia provado esse prato anteriormente, como todos os outros que escolhi ontem. Mas, sei lá, estava diferente. A gema em particular, que sabor! Que textura! Como que eu vou explicar isso em casa, hein? Pode isso, Arnaldo? Vai ver a galinha dessa gema de ouro estava inspirada no dia, ou fez tratamento de massagem e alimentação a base de alimentos orgânicos. Sei lá!


entrada: queijo de cabra, purê de batata e gema


O primeiro prato: esse dispensa comentários. Sublime. É uma das minhas massas prediletas da casa. Sabores apurados, intensos, aroma inebriante. Invariavelmente me vejo contando a quantidade dos raviolinis que restam no prato (com a esperança de que eles se multipliquem, se elevem ao cubo, à décima!).


primeiro prato: raviolini de pato ao molho de laranja


O segundo prato: eu sei que estou sendo repetitivo, mas estava diferente dos outros que eu já provei no Fasano. Não sei se esse cordeiro teve que morrer, mas se o seu objetivo de vida era fazer alguém feliz, aaaah colega, isso ele fez! Pode ter certeza! Até as lentilhas, tão minúsculas, resolveram multiplicar seu sabor! Parecia que era um concentrado de mil lentilhas em uma única lentilha (a galinha do ovo de ouro a que eu me referi antes deve ter se alimentado dessas lentilhas). Nesse momento do jantar, já estava achando que era Ano Novo. Juro que eu via e ouvia fogos de artifício.


segundo prato: costeletas de cordeiro


A sobremesa: o suflê, como sempre, veio no ponto exato. Dizer que estava ótimo seria redundante.


sobremesa: suflê de Grand Marnier


petit fours


Como já disse, respeito os gostos de cada um. De verdade. Acredito mesmo que gosto não se discute. Se você me disser que não comeu bem no Fasano, eu vou acreditar. Mas para os que me falam que comem igualmente bem no Tre Bicchieri, Piselli, Zucco, pagando obviamente muito menos, somente cinco palavras: não confunda c* com bunda. Colocar o Fasano no mesmo patamar que esses restaurantes só pelo fato de serem comandados por pessoas com a marca Fasano no seu currículo é a mesma coisa que comparar uma Ferrari com um Corsa todo tunado com nitro, motor com 500 cavalos e 96 válvulas. Com upgrade ou não, o Corsa sempre será um Corsa.


Para mim, o Fasano já era um sinônimo de excelência em gastronomia. Mas agora se tornou muito mais pessoal. Você pode achar que o cachorro da raça labrador é o mais lindo e sensacional do mundo, mas tenho certeza que o seu coração bate forte mesmo é pelo seu vira-lata feio que só ele. Isso porque você tem um vínculo afetivo e ele é seu. E hoje, o Fasano é meu. E faz bem à minha alma.


E que bom que eu aumentei a minha lista! Achei que demoraria séculos para incrementá-la!




Fasano
www.fasano.com.br
Rua Vittorio Fasano, 88 - Jardim Paulista, São Paulo

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Emiliano

Aprecio e valorizo muito o trabalho de um chef. Tive a satisfação de conhecer e papear com alguns nomes bem renomados do mundo da gastronomia, como o Daniel, Troisgros (não o Claude!), Eric Ripert, David Chang (chef mais hilário), Thomas Keller, Bocuse e Robuchon. A impressão que eu guardo é a de que, embora sejam seres totalmente diferentes uns dos outros, todos amam o que fazem. E isso é escancaradamente explícito para todo mundo ver.
Acho que todo mundo sabe, mas o dia-a-dia de um chef é extremamente duro, a ponto de eles terem que dedicar toda a sua vida na nobre arte da culinária. Parafraseando o Ripert, 24 horas num dia não são suficientes para ser ao mesmo tempo um bom chef, um bom pai de família e um bom amigo. Ou você escolhe um caminho ou o outro.


Há diversos chefs em São Paulo que eu tenho um enorme respeito, e um deles é o José Barattino, que comanda as panelas do restaurante Emiliano. Ele foi responsável por uma das refeições mais espetaculares que eu tive esse ano, num menu-degustação de 8 etapas. O banquete está disponível ao preço de 210 reais.


O Emiliano fica localizado dentro do hotel de mesmo nome, e dispõe de um amplo ambiente (você com certeza não vai ouvir conversas alheias) bem elegante. O serviço é acolhedor e trabalha em perfeito compasso com a cozinha. Dúvidas sobre algum prato? Certamente o serviço facilitará a sua decisão. Mas vamos ao que realmente importa: o extraordinário jantar.


O couvert: os pães da casa (de limão, suco de maçã, baguete, ciabatta, integral, focaccia) foram trazidos à mesa extremamente frescos, junto com uma boa manteiga, queijo de cabra e cebolas caramelizadas. Ótimo começo.


couvert


- vieiras marinadas ao manjericão, chuchu e azeite Manni. Prato de início, para atiçar o paladar. Marcado pelo contraste entre as vieiras macias e gelatinosas e o chuchu crocante.


vieiras marinadas ao manjericão, chuchu e azeite Manni


- escalope de foie gras, "terra" de migas de pão e compota de beterrabas. A mistura do sabor pronunciado do foie, com o doce da compota e a consistência crocante da "terra", que nada mais é que uma farofa de migas de pão, ainda estão vivíssimas na minha memória.


foie gras, "terra" de migas de pão e compota de beterrabas


- mandioquinha assada em sal grosso e "olio biologico Manni". Incrível como uma simples mandioquinha pode ser tão saborosa. Para mim, outro acerto do chef ao não mascarar o intenso sabor do tubérculo (desculpe a ignorância, mas mandioca é tubérculo, né?)


mandioquinha assada em sal grosso e "olio biologico Manni"


- cavaquinhas ao vapor com purê de couve flor, alface e raiz de lírio do brejo. Sabe quando falam: "tem gosto de mar...". Bom, é exatamente isso, sendo que todos os ingredientes contribuem para formar um conjunto harmonioso. Muito mais do que só a soma dos elementos. Ponto alto da refeição. Vontade de gritar "Goool!".


cavaquinhas ao vapor com purê de couve flor, alface e raiz de lírio do brejo


- tortelli de batata e cebola caramelizada, trufas negras e lascas de parmesão. Massa fresca e delicada, no ponto, bem recheada com as cebolas caramelizadas de sabor marcante, encimada por toda a potência das trufas negras. Explosão de sabor.


tortelli de batata e cebola caramelizada, trufas negras e lascas de parmesão


- kobe beef, mandioquinha e acelga japonesa. Não me leve a mal. Os acompanhamentos eram cheios de sabor, mas ficou difícil prestar atenção em outra coisa que não fosse essa excelente carne com consistência de MANTEIGA e extremamente saborosa. Faca? Para quê?


kobe beef, mandioquinha e acelga japonesa


- granité de maracujá. Boa pré-sobremesa, para passar ao gran finale com estilo.


granité de maracujá


- interpretação de chocolates Valrhona. Se você gosta de chocolate, essa é a sua praia. Mas não qualquer praia. Estou falando de uma praia tipo Ibiza, habitada só por modelos pré-selecionadas, sem previsão de chuva pelos próximos 30 anos e open-bar de Blue Label, champagne Dom Perignon e vinho Bordeaux. Brincadeiras à parte, a sobremesa brinca (como eu estou engraçadinho hoje) com diversas texturas e graduações de um dos mais famosos chocolates do mundo. Como diriam os carnavalescos de plantão: "Execução: nota (pausa) dez."


interpretação de chocolates Valrhona


Resumo da ópera: ingredientes dos mais frescos (parece que foram escolhidos a dedo), apuro técnico aliado à criatividade e sabor. Muito sabor! Um jantar para ficar na memória.


Na minha opinião, essa é a melhor forma de se divulgar um trabalho: a excelência do próprio trabalho. Não sei se o Emiliano faz propaganda e recorre às mídias. Mas sinceramente, não vejo necessidade. O Barattino é bom e se garante.




PS: o serviço de manobrista é gratuito.




Emiliano
www.emilliano.com.br
Rua Oscar Freire, 384 - Jardim Paulista, São Paulo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aizomê

Sempre que penso em comida japonesa, o Aizomê me vem a cabeça. Junto com o Shin-Zushi e o Jun Sakamoto (que serão comentados em posts futuros), esse restaurante é responsável pelos pratos da culinária nipônica que mais agradam ao meu paladar.


O grande mestre Shin Koike, chef do Aizomê, tem uma reputação que vem desde os gloriosos tempos do extinto restaurante A1. Ainda me recordo quando meu pai me levava até à paulista para jantar um prato de porco no molho shissô sensacional. Ahh, bons tempos aqueles.


O Shin faz uma cozinha japonesa com um toque mais contemporâneo, aliando técnicas de outras culinárias do mundo. Ao contrário do que muita gente pensa, a comida japonesa vai muitíssimo além dos tradicionais sushi / sashimi. Aliás, lá no Japão, o sushi e sashimi só dão as caras em momentos festivos e de comemorações.
Mas se você só curte peixe cru, não tem problema. O Aizomê é primoroso tanto nos pratos quentes quanto na parte fria.


Quer uma dica? Sente no balcão e vá de omakasê, isto é, o menu-degustação. Você será presenteado com o que há de melhor no dia. Nada daqueles cortes bizarros de sashimi encontrados nos rodízios em geral. Além de degustar ótimos pratos, com peixes que exalam frescor, você terá a oportunidade de assistir ao trabalho artesanal dos chefs e conversar com eles. Tudo feito na sua frente. Sempre engato um bate-papo com o Shin ou o Sassaki, e eventualmente acabo ganhando uma aula grátis sobre peixes.


balcão do Aizomê


Como sempre escolho o omakasê, os pratos obviamente variam bastante. Gosto do tempura de portobello, da pescada com molho de milho verde, do linguado com uni e shissô crocante, das vieiras com lichia e do filet mignon empanado com foie gras. Uma etapa de sashimis e outra de sushis completam o seqüência. Os sushis são preparados com muita competência, apresentando peixes no tamanho correto e um arroz temperado na medida. Os peixes utilizados variam bastante, mas certamente você degustará o de buri, torô, linguado, robalo, enguia, carapau ou de cavalinha (meu favorito). Ah, mas e se eu quiser salmão? Vá ao Kinoshita, onde esse peixe é servido aos montes a preço de iguaria! Com a desculpa de que "cai mais ao gosto do cliente brasileiro", palavras proferidas por um dos sushiman do imponente restaurante-bicho-papão de todos os prêmios oferecidos pelo mídia, o Kinoshita segue investindo mais na bajulação e ostentação do que na sua cozinha. E, surpresa, nem o salmão consegue ser um dos mais frescos! Mas quem vai ao Kinoshita para comer, certo?
Voltando ao assunto, há dois exemplares da cidade que considero melhores, os do Shin-Zushi e do Jun, mas os do Aizomê não fazem feio. Porém, na minha insignificante opinião, são os sashimis que roubam a cena. Os melhores de São Paulo. Um show.


filet mignon tataki


sashimis: os melhores de sampa


sushis


Há também boas pedidas de sobremesas como é o caso do tiramissu e da cheesecake regada por calda de frutas vermelhas e umê, ambas bem leves se comparadas com as tradicionais, por serem feitas com tofu. Sim, tofu! 


tiramissu de tofu


A experiência lhe custará 155 justíssimos reais (ou 180 com duas etapas adicionais), visto a qualidade dos ingredientes (não só dos peixes, mas de todos os temperos e condimentos importados). 


É bom ver que ainda há espaço para casas que dão valor à qualidade dos ingredientes e da sua cozinha, ao invés de focar em ambientes espetaculosos e serviço afetado. Esses locais abomináveis providos de pratos extremamente bonitos visualmente e proporcionalmente pobres em sabor. Onde o peixe fresco é sazonal e depende da lua, mas o preço é sempre o mesmo. Estratosférico. Kinoshita quem?


Shin, meus sinceros agradecimentos a todas as ótimas refeições que fiz no Aizomê!




Aizomê
www.aizome.com.br
Alameda Fernão Cardim, 39 - Jardim Paulista, São Paulo

domingo, 6 de novembro de 2011

Le Fournil

Sempre que alguém me pede uma dica sobre doceria, a minha resposta é: "depende". Explico: depende do doce que você quer. A mousse de chocolate de que mais gosto não se encontra no mesmo local que tenha o melhor sonho ou brigadeiro, por exemplo.

Hoje vou falar sobre um dos meus doces favoritos: o mil-folhas, que nada mais é que uma mistura de massa folhada e creme de baunilha em camadas alternadas.
E o meu predileto se encontra no Le Fournil. Essa charmosa e pequena boulangerie / patisserie de estilo francesa está localizada dentro do Sofitel São Paulo, e dispõe de um ambiente externo com algumas mesas. Vá direto ao balcão, que está sempre recheado de boas pedidas de sotaque francês, como as tartelettes, croissant, brioche, baguete, macarons e o mil-folhas delícia. Não recomendo o cookies, que é um tanto pesado e até destoa do resto da linha de produtos deles.

O destaque e carro-chefe da casa é o mil-folhas. Já provei inúmeros na cidade, e a grande maioria (cerca de 99,7%) peca não só no sabor, mas também em textura e temperatura. Nas docerias em geral, esse doce fica exposto na vitrine em condições inadequadas e, conseqüentemente, perde toda a sua crocância e sabor (justamente onde está toda a brincadeira!). Mas no Le Fournil, como ele vai saindo em pequenas fornadas várias vezes ao dia, você terá o prazer de encontrá-lo bem fresco. As camadas de massa estalam na boca e o creme patissier do recheio é delicado e doce na medida, e não apresenta aquele gosto de ovo tão comum dos demais exemplares paulistas (se você não conhece esse gosto, vá à Ofner ou Amor aos Pedaços mais próximos). O quitute irá te custar por volta de 9 cruzados, o que não é nada caro se compararmos com a concorrência.


mil-folhas do Le Fournil


Agora você já sabe onde encontrar um mil-folhas de presença sem ter que gastar uma bufunfa no La Brasserie ou Fasano.

Le Fournil
www.gastronomiasofitel.com.br
Rua Sena Madureira, 1.355 - Ibirapuera, São Paulo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

La Brasserie Erick Jacquin

Ele é reconhecido como um dos melhores chefs de São Paulo. Dá nome ao seu restaurante, que já foi considerado o melhor francês da cidade em diversas ocasiões. E, na minha opinião, a sua comida justifica tantas críticas positivas.
A minha última experiência no La Brasserie foi memorável e, volta e meia, me pego conferindo as fotos daquele almoço incrível para reavivar toda aquela explosão de sabores, texturas e aromas.

O couvert: além de pães frescos, manteiga e patês, é servido (como em todo bom restaurante) um amuse bouche, que no dia era um creme de cogumelos.

couvert: pães, manteiga, patês

Fui de menu-degustação, que consiste numa seqüência de sete pratos, pelo preço de 245 cruzeiros.

- o primeiro prato era um ovo mexido surpresa com caviar beluga, mas resolvi trocá-lo por um foie gras de canard quente, pêra com laranja, pois já havia experimentado o ovo em outra ocasião. 
Só quem é fanático por essa iguaria sabe a dificuldade que é encontrar uma de qualidade na capital paulista. Ahhh (suspiro), o foie gras do ErickO sábio sujeito que proferiu as palavras: "a vida é bela", com certeza estava com um belo pedaço desse fígado na boca. O molho, adocicado na medida, equilibra o prato de forma magistral.

foie gras quente, pêra com laranja

- salmão rôti em lata. Esse foi o único prato que não estava inesquecível. 


salmão rôti em lata


- ravióli de lagosta, jus de crustáceos, mousse de leite de côco. Quer entender o que raios é um prato equilibrado? Acho que este é um perfeito exemplo.


ravióli de lagosta, jus de crustáceos, mousse de leite de côco


- vieiras grelhadas, banana caramelizada, gengibre confit. Não saberia dizer qual o ator principal desse prato (num bom sentido). Eu sei que estou sendo repetitivo, mas não dá para pôr nem tirar nada dessa belíssima composição. Ponto.


vieiras grelhadas, banana caramelizada, gengibre confit


- robalo ao vapor de chá e ervas frescas. Apenas duas palavras: que robalo! Eu, que não sou muito fã de espumas e vapores, tive que me render a essa que complementava o prato.


robalo ao vapor de chá e ervas frescas


- cordeiro de 6 horas, lentilhas verdes de Puy. A faca é totalmente desnecessária: a carne da paleta de cordeiro literalmente se desfaz ao mero toque do garfo e é riquíssima em sabor, potencializado pelo untuoso caldo do ragu de lentilhas. Se sobrar um pouco do molho, não tenha vergonha: raspe o pão no prato sem pensar duas vezes.


cordeiro de 6 horas, lentilhas verdes de Puy


- degustação de sobremesas. O mil-folhas seria a sobremesa padrão para o menu, mas como o Erick já sabe que eu como em quantidades exorbitantes, ele sempre me manda diversas sobremesas do dia. A patisserie deles é fantástica, e dificilmente você encontrará um mil-folhas ou um petit gateau melhor que o deles em São Paulo. 


sobremesas: petit gateau, mil-folhas, bolo de chocolate, macaron
com frutas vermelhas, ovos nevados, duo de sorvete. Happy day!


Precisão na técnica, criatividade, diversidade em texturas, e tudo sem esquecer do mais importante: sabor. Uma verdadeira aula do mestre Jacquin.


La Brasserie Erick Jacquin
www.brasserie.com.br
Rua Bahia, 683 - Higienópolis, São Paulo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ráscal

Eu como muito. Em uma quantidade que deixa muita gente assustada. Pessoalmente, não conheço nenhum ser humano que coma nem perto do que eu consigo comer. Já me acostumei ao fato das pessoas ficarem me olhando e dando risadinhas em restaurantes. Tudo bem, faz parte.
Mas, como tudo na vida, essa minha característica tem seu lado positivo. Sempre que vou a restaurantes e lugares que comercializem comida, consigo provar um grande leque do que o estabelecimento oferece. Uma experiência minha me rende o que uma pessoa normal levaria umas três vezes visitando o local. Portanto, se você tem menos que 50 anos, provavelmente eu já comi mais do que você (eu tenho 24 anos).
Tudo isso para falar que, para eu achar uma experiência gastronômica ruim do início ao fim, é porque foi ruim ao cubo. E se a minha impressão sobre o local foi boa, é porque diversos itens do menu vieram em boa qualidade.


Já fui ao Ráscal uma porção de vezes, e sempre fico impressionado com a qualidade de tudo que é servido, mesmo com a grande diversidade de itens no bufê. Tudo invariavelmente fresco e feito na hora. Considero este o melhor restaurante de cozinha rápida da cidade. De longe.


Você pode optar pelo bufê ou a la carte. Se você escolher a primeira opção, isso lhe dá o passaporte à disneylândia da gula, composta pela excelente mesa de saladas e antepastos (faz sucesso o atum selado com gergelim, pizzas variadas, quiche..) e também  à ilha de massas com opções quentes. O ravióli verde recheado de mussarela, a lasanha vegetariana e o polpettone são marcas da casa. Se você der sorte de encontrar a rabada ou a paleta de cordeiro como sugestões do dia, por favor, não perca.


legumes variados, ceviche de robalo, salada de lulas.


atum selado, ravióli ráscal, ravióli do dia, lasanha vegetariana


rabada, ravióli do dia e lasanha vegetariana


Ah, outra dica: bons e variados azeites e vinagres escoltam a mesa de saladas. Então, não se sinta acanhado e regue a sua salada e o que você quiser com os azeites italianos de primeira.


Hora da sobremesa! A torta de maçã é um dos carros-chefe na hora de um docinho. Dá para ver o porquê pela foto abaixo:



prazer! meu nome é delícia!
O bufê que dá direito à mesa de saladas e ilha de massas lhe custará em torno de 60 mangos.
Vá ao Ráscal e seja feliz.


Ráscal
www.rascal.com.br
Espalhados pela cidade